Transcrição
Lições do desporto nos negócios Muito bem.
Deixaste o desporto, mas o desporto nunca te abandonou.
Que ensinamentos aplicas ao teu trabalho?Todos aqueles que pude aprender.
E tento aplicá-los de forma constante, no dia a dia.
Dizem que oficialmente deixamos de sonhar quando temos 27 anos.
No meu caso, a história foi exatamente o contrário.
Nasci em Barcelona em 1982 e, com 10 anos, tive a oportunidade de ver Barcelona 92, ao vivo e em direto.
Foram uns Jogos Olímpicos que transformaram a cidade,que foram o embrião da Barcelona que conhecemos hoje.
Impactou-me tanto,aos 10 anos, viver esses Jogos Olímpicos que disse: "Quero ser atleta olímpico".
E tentei com todas as minhas forças,durante mais de 14 anos.
Até aos 24 anos tive a oportunidade e a sorte de ser atleta profissional.
A minha história é a de alguém que tentou com todas as forças.
Não cheguei lá e acabou.Tive de tomar a decisão: "OK,tenho 24 anos, não vou ser atleta olímpico.
E é hora de deixar." Quando isso acontece,sentes-te totalmente vazio.
Infelizmente, já vimos quantos atletas de elite acabam em depressão.
No meu caso, embora no início tenha sido muito complicado,percebi algo que mudou a minha perspetiva de vida:o fim da vida é continuar a ter sonhos.
É continuar a ter motivação para acordar todas as manhãs e dar o melhor de ti próprio.
Quanto mais sonhos podem haver na vida?São infinitos.
E qualquer sonho transforma-se em motivação.E a motivação é a energia de que precisamos para dar o melhor de nós.
Depois, junta-se a constância, a disciplina, a visualização.
Isso também foi algo muito bom que o desporto me ensinou.
Se há algo que o desporto de alto nível te dá,é a capacidade de visualizar.
Desde pequeno, tens psicólogos, etc.que te ajudam a imaginar como será o dia da competição,e quais são os valores que deves manter na derrota ou na vitória.
Depois dessa fase difícil, percebi que havia tantos ensinamentos no desporto que, afinal, era um sortudo.
Porque, embora não tivesse conseguido o meu objetivo nos meus primeiros 25 anos de vida,tinha tudo para o poder alcançar nos 25 anos seguintes.
E a forma de o fazer era aplicar esses valores no mundo empresarial.
Fazer com que as pessoas deem o melhor de si dentro de um ambiente laboral.
Se pensarmos nas empresas de hoje, quantos líderes realmente conseguem isso?
É aí que me estou a focar e onde acredito que posso dar muito mais valor acrescentado.
Ser esse líder que acompanha as pessoas para que deem o melhor de si,muito para além de um resultado, de uma promoção ou de qualquer coisa material.
No fundo, estamos a falar de encontrar um propósito.
Queria colocar-te duas situações que podem ser bastante diferentes entre si:fazer um doutoramento e empreender.
O que é que têm em comum?Ambas têm algo em comum:primeiro que tudo, enfrentas-te a uma folha em branco.
No meu caso,fiz um doutoramento como uma prova de superação,não como um fim para depois ser professor universitário.
Pelo contrário, queria saber até onde ia o meu limite.
Quando alguém empreende, o que procura é encontrar-se a si próprio.
Tem tantas inquietações internas que precisa de as expressar.
É o mesmo que num doutoramento:começas do zero, numa folha em branco, e acabas da mesma forma:ou acrescentas valor à sociedade,ou não tens sucesso.
Tens uma hipótese que tens de confirmar.E, com essa hipótese confirmada, resolves um problema.
Nessa folha em branco, com duas ideias,até conseguir enfrentar e resolver uma problemática,seja num doutoramento, seja na sociedade,é um caminho. E é um caminho que não podes percorrer sozinho,mas que é necessário percorrer para superar todas essas dúvidas e inquietações que tens dentro de ti.
